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12 de junho: O Amor como tema de análises científicas Imprimir
Escrito por Administrator   
Ter, 12 de Junho de 2018 08:51

Na data mais romântica do ano o amor não está somente no ar, está também na ciência. Apesar de, por vezes, ser tratado como um assunto banal, o amor e suas facetas foram minuciosamente observados poelas professoras Audrei Alencar e Telma Amaral ambas antropólogas da Faculdade de Ciências Sociais da UFPA. Em suas pesquisas o tema principal está ligado aos relacionamentos amorosos.

Em preparação para as vendas do dia dos namorados, a terceira data mais lucrativa para o comércio, as lojas são enfeitadas com corações e frases que celebram o amor, mas o objetivo continua sendo o mesmo: aumentar as vendas. Seguindo a tradição implantada no Brasil pelo publicitário João Dória em 1950, reproduzindo o que em outros países é chamado de “Valentine's Day”, acredita-se que nesta data os casais devem trocar presentes como uma forma de demonstração de carinho e afeto.

Amor embrulhado para presente - Essa relação de reciprocidade um tanto econômica motivou a pesquisa da antropóloga Telma Amaral, em que sua pesquisa verificou que o binômio dar e receber presentes cria e fortalece vínculos entre as pessoas. A pesquisadora verificou que tal data possui dois lados distintos. O lado bom estaria em pensar no outro e demonstrar certo cuidado ao presentear a pessoa amada, o ruim seria o esquecimento de que a data deve ir além de somente dar presentes.

Neste sentido, enxergar o dia dos namorados sem que envolva nenhum tipo de consumo seria pensar fora desse “padrão de consumo” estipulado pela sociedade. Oamor não necessariamente precisa ser expressado com valores materiais embrulhados com romantismo, mas sim a reciprocidade do sentimento que é nutrido pela outra pessoa. “A data nos mobiliza, no sentido de pensar no outro e cuidar do nosso amor. O lado ruim é quando embarcamos no consumismo e esquecemos que, mais do que presentes, o que estamos dando é o sentimento pelo outro e que deve retornar para nós em mesma medida” concluiu Telma.

Porquê casais permanecem juntos - A música “Aquela esperança de tudo se ajeitar”, de Chico Buarque, inspirou a pesquisa de mestrado de Audrei Alencar intitulada “‘Aquela esperança de tudo se ajeitar’- Continuidades e descontinuidades nos casamentos”, cujo principal objetivo é saber por qual motivo pessoas permanecem casadas apesar de estarem insatisfeitas e quais fatores interferem nessa decisão.

Audrei analisou 13 casais da cidade de Barcarena que estavam casados, no civil e no religioso, há mais de dez anos. Por meio da observação de cada uma dessas pessoas, ela pôde concluir que os principais fatores que interferem na permanência do casamento são: econômicos, familiares, religiosos e o uso das redes sociais. A infidelidade ainda é o principal motivo para pensar em separação.

Segundo dados divulgados pelo IBGE no censo 2010, filhos eram a principal causa para a permanência nos relacionamentos. No entanto, na pesquisa de Audrei Alencar esse dado não teve muito destaque. De acordo com o estudo, o medo da solidão, as pressões da sociedade, o status do casamento e a falta de apoio externo ao cônjuge fazem os casais permanecerem juntos. O mais citado entre eles era o medo da solidão na velhice.

Texto: Rebeca Rocha – Assessoria de Comunicação da UFPA
Arte: Reprodução / Google

 

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