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PS 2019 terá graduação em “Conservação e Restauro”, a primeira da Amazônia Imprimir
Escrito por Administrator   
Qui, 01 de Novembro de 2018 08:38

Azulejos, ladrilhos, vitrais, argamassas, balaústres e metais integrados em edifícios históricos. Obras artísticas de vários estilos e materiais. Artefatos arqueológicos. A representação física da história do Pará e da Amazônia pode ser encontrada em diversos bens culturais, que se não forem conservados ou restaurados adequadamente, podem ser perdidos. Formar pessoal qualificado para conservar e restaurar o patrimônio cultural móvel e de bens integrados nas edificações é o objetivo do novo curso de bacharelado da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Apesar de existir alguns cursos de graduação e pós-graduação, a formação na área de conservação e restauro, especialmente em nível de graduação, ainda é rara no Brasil. O novo curso de bacharelado da UFPA será o primeiro da Amazônia e o quarto criado no Brasil nas Universidades Federais. Atualmente ele existe apenas na Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na de Minas Gerais (UFMG) e na de Pelotas (UFPel).

Interdisciplinar - E o profissional Conservador e Restaurador é, justamente, quem lida com os bens culturais móveis e os integrados, de modo a exercer intervenções que os conservem e os restaurem, preservando-os. “A prerrogativa de intervir diretamente no bem móvel e no integrado não está presente em outros cursos que trabalham questões específicas de uma determinada atribuição do profissional do patrimônio”, detalha a professora da UFPA, Thais Sanjad, que, junto com as pesquisadoras Roseane Norat e Flávia Palácios, compõe a equipe responsável pelo projeto do novo curso.

Restaurar não é tarefa fácil. “A intervenção restaurativa precisa de um conhecimento multidisciplinar, que envolva as áreas das humanidades e das ciências exatas e da terra, da vida e tecnológicas. É esse conjunto de conhecimentos aplicados que vai habilitar o profissional restaurador a intervir no bem cultual móvel e no integrado, ou seja, nos mais variados objetos que precisam ser conservados para as futuras gerações”, apontam as pesquisadoras.

Conhecimento além da sala de aula - O curso de bacharelado em Conservação e Restauro deverá ser matutino, ofertará cerca de 30 vagas e terá duração de quatro anos. A sede da nova graduação será o prédio do antigo Convento dos Mercedários, recentemente cedido à UFPA, mas as atividades do curso serão levadas para fora da sala de aula.

“O curso será multidisciplinar, pois precisamos de vários conhecimentos para a análise teórica, crítica e tecnológica do que, quando e como conservar e/ou restaurar. A graduação terá o prédio dos Mercedários como sede, mas estaremos em pleno Centro Histórico de Belém, espaço ideal para conhecer diversos bens culturais móveis e integrados presentes nas edificações e praças, e também nos museus que estão por lá, assim como seus problemas de conservação. Vamos dar aulas pelo centro histórico e também em locais estratégicos para o aprendizado do aluno”, adianta a pesquisadora do Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore).

Também haverá atividades de campo que devem levar os estudantes a outras regiões e a conhecer mais alguns bens culturais de determinadas comunidades e os problemas que envolvem a conservação desses bens.

Preservação de bens culturais na Amazônia - Preservar o patrimônio da Amazônia e suas especificidades é a principal justificativa para a criação do novo curso. “É pela quantidade, variedade e qualidade de bens culturais que temos e suas especificidades, que são extremamente vulneráveis às transformações que sofrem, muitas vezes sem pessoal qualificado envolvido, que precisamos deste profissional. Vamos formá-lo com o perfil voltado para a nossa realidade amazônica, com base em estudos específicos sobre nossos bens culturais e no desenvolvimento de tecnologias adequadas aos nossos desafios que são muitos e, em alguns casos, únicos”, afirma Thais Sanjad.

E a pesquisadora completa: “As ações do clima, os materiais diferenciados, muitos da própria região, a adaptação de técnicas, a utilização de mão de obra local que registra um modo único de saber fazer, entre outras, são algumas das peculiaridades que precisam ser consideradas para melhor conhecer e preservar esse patrimônio. Além disso, é um conhecimento que precisa ser repassado para termos permanentemente profissionais habilitados para a salvaguarda deste nosso acervo cultural.”

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Texto: Glauce Monteiro – Assessoria de Comunicação da UFPA
Foto: Alexandre de Moraes

 

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